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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Edifício Altino Arantes - Banespão

Ponto mais alto do centro paulistano, 3º prédio mais alto do Estado e 4º Brasileiro, ex-sede de um banco que marcou a história de São Paulo, o edifício Altino Arantes, o Banespão, tem muito o que contar.


Fundação do Banco do Estado de São Paulo

Conhecido anteriormente como Banco de Crédito Hipotecário e Agrícola do Estado de São Paulo foi fundado em 14 de Junho de 1909 com sua primeira agência aberta na cidade de Santos, com finalidade, de financiar a atividade cafeeira de São Paulo, que crescia muito na cidade, sendo primordial para o desenvolvimento de São Paulo.

Em sua fundação, sua maioria acionista provia de investidores franceses, sendo o Banco do Comercio e o Tesouro do Estado de São Paulo segundo e terceiro lugares respectivamente. Com a expansão do banco, uma sede no centro bancário de São Paulo se viu necessária, um projeto que antes seria próximo a Praça Ramos, por meio de acordos com a Santa Casa de Misericórdia, e a compra de alguns prédios vizinhos, acaba sendo transferido para a rua João Abrícola, em um dos extremos do triângulo histórico do centro de São Paulo.

Fundação do Edifício

Um projeto desenvolvido inicialmente por Plínio Botelho do Amaral, sendo modificado posteriormente para se assemelhar com o “Empire State Bulding” americano, As obras só tiveram início em 1939, com o lançamento da pedra fundamental, esperando 8 anos para ser concluído e finalmente fundado em 1947, pelo então governador Ademar de Barros.

Considerado o edifício mais alto da cidade de São Paulo, deixando para trás o antigo dono do posto e vizinho “Edifício Martinelli” um ano após sua fundação, foi considerado por uma revista francesa, como a maior estrutura de concreto armado do mundo, superando o próprio Empire State Building, maior arranha-céu do mundo, por ter mistos de concreto e ferro em sua fundação.

O edifício tem 161,22 metros de altura, 35 andares, 14 elevadores, 900 degraus e 1.119 janelas, referencia até hoje no centro de São Paulo, devido a sua grande altura, sua torre foi utilizada na década de 50 para a retransmissão da Rede Tupi de Televisão. Na década de 60, teve seu nome alterado para o atual Edifício Altino Arantes, em homenagem ao primeiro presidente do banco.

O Edifício Durante os Anos

Desde sua fundação, o edifício não sofreu muitas mudanças externas, em 1960 perde o posto de mais alto para o gigante mirante do vale, porem continua como ponto mais alto do centro de São Paulo, devido sua localização acima do vale. Em 1965 foi fundado o Museu Banespa, com o intuito de manter a memória do banco com o passar dos anos, e abrigar algumas belas obras de artes.

Foi nos anos 70 que ganhou a sua tão famosa cinta de alumínio em volta da torre, aonde foi alocado o logotipo do banco, também nessa época ganhou a bandeira do estado no topo, sendo trocada frequentemente pelos fortes ventos que batem a tal altura.

Em 1988, o hall de entrada do edifício ganha um enorme lustre de três metros de altura e 1,5 tonelada, com 150 lampadas e mais de 10.00 acessórios de cristal. No ano 2000, o Banespa é privatizado e vendido ao banco Santander, e ao contrario que se imagina, os novos donos não só não modificaram a tradicional faixada, deixando o logotipo antigo, como permaneceram com o o Museu Banespa, somente alterando o nome para Museu Santander Banespa, preservando assim a memória e a cultura paulistana presente no edifício.

O Edifício nos dias de hoje

Atualmente, o edifício fornece uma visita gratuita a torre que fornece uma visão panorâmica de toda a cidade de São Paulo, podendo ser avistados pontos turísticos do centro de São Paulo e arredores, e para dias mais claros, podendo ate mesmo avistar uma parte da serra da cantareira, no extremo norte da cidade.

No museu de entrada também gratuita, pode se ver a exposição de maquinarias e equipamentos utilizadas pelo banco, células e moedas antigas, assim como também grandes esculturas, pinturas e gravuras de grandes artistas, geralmente doadas ou usadas como quitamento de dividas.

Para entrar em contato ou fazer uma visita:

Rua João Brícola, 24 – Centro - São Paulo (Metrô São Bento)
Tel.: (11) 3249-7180 - E-mail:
museusantander@santander.com.br
Horário: De segunda a sexta, das 10h às 15h

Visita Gratuita e sem Agendamento

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Edifício Martinelli

Este edifício já foi o maior da América Latina, serviu para alojar baterias anti-aéreas na revolução de 32 e mesmo sendo sufocado pelos prédios do Banespa e do Banco do Brasil, é o simbolo da urbanização em São Paulo. Vamos conhecer melhor a história desse prédio tão importante na história de São Paulo.

Primeiro Arranha-Céu da América LatinaTudo começou em 1889. Chega no porto do Rio mais um navio com milhares de imigrantes italianos, mas, entre eles, um em especial: Giuseppe Martinelli. Com grande ambição, veio a se tornar um grande embargador do porto de Santos, mas isso definitivamente não era o suficiente para Martinelli, ele queria construir um patrimônio que seria para sempre lembrado e que abalasse a então pacata cidade de São Paulo, e pode-se dizer que ele conseguiu.

O ano era 1924. Começa a construção de um prédio, cujo projeto era ter 13 andares, o que já era um absurdo para a época onde raramente se via prédios com mais de 5 andares pelas ruas. Com muita polêmica, foi seguindo a construção no terreno mais nobre da época, entre as ruas São Bento, São João e Libero Badaró, e com caríssimo cimento exportado da Suécia e Noruega pela própria casa importadora de Martinelli. A obra já prometia ser uma revolução no mercado imobiliário de São Paulo.

Nas obras, trabalhavam mais de 600 operários, 90 artesãos (entre eles italianos e espanhóis). Para cuidar do esmerado acabamento e da nobre fachada, foram chamados os irmãos Lacombe, que mais tarde fariam a entrada do túnel 9 de Julho.Quanto mais o prédio crescia, mais o encomendador acresentava andares, às vezes a pedido da própria população, e de 12 andares passou a 14, depois a 18 e em 1928 chegou a 20. Nessa época, o próprio Martinelli assumia o projeto arquitetônico, e não contente em fiscalizar diariamente o prédio, começou a botar a mão na massa, assumindo sua antiga profissão de pedreiro que exercia em sua juventude.

Quando o prédio atingiu finalmente 24 andares, foi embargado pela prefeitura e liberado só depois de uma vistoria completa feita por um comitê formado para averiguar a segurança do edifício. Liberaram a construção de apenas mais um andar, mas Martinelli, genioso como um bom italiano, fez no terraço do prédio a casa do comendador acrescentando em 5 andares e formando então um edifício de 30 andares. Se mudou para o teto, provando que era bem seguro.


Uma vez criado, Martinelli começou a vender seus apartamentos para as mais diversas atividades. Já foi sede de diversos partidos políticos, jornais e clubes de futebol como a Portuguesa e o Palestra Itália (atual S.E. Palmeiras) e na revolução de 1932, o terraço foi utilizado para instalação de baterias anti-aéreas contra os vermelhinhos que ameaçavam bombardear São Paulo a qualquer instante.

Porém, nem tudo foi um mar de rosas para o edifício e a história estava começando a mudar para pior. Em 1934 Giuseppe Martinelli passou por dificuldades financeiras e teve de vender alguns andares para uma financiadora do governo italiano, ficando assim, parte do prédio ao poder italiano, o que para um futuro presidente chamado Getúlio Vargas não seria nada agradável.

Com a entrada do Brasil na segunda guerra em agosto de 1942, Getúlio fez uma série de cercos contra os países inimigos e quem penaram foram os imigrantes. Assim sendo, o governo se apropriou do prédio, mudando até o seu nome para Edifício América.

Depois da Segunda Guerra, o Brasil passou por um enorme progresso que refletiu no setor imobiliário, resultando em um enorme processo de verticalização e urbanização, e o edifício se viu sufocado pelo próprio progresso que desencadeou ao ser vencido em altura pelo atual Banespão e escondido pela enorme massa de concreto do prédio do Banco do Brasil nos anos 50.

Na década de 60 e 70, o prédio sofre um enorme abandono, marcando um início de uma grande marginalização no centro velho. O prédio que tinha o aluguel mais barato do centro serviu de cortiço para inúmeras famílias pobres, e acabou se tornando um centro de prostituição e venda de drogas, sendo considerado apenas uma favela vertical.

A coisa era realmente feia, qualquer pessoa com seus 40, 50 anos pode se lembrar do cabaré localizado nos subsolos do prédio, lembrando ainda do terrível caso do garoto Davilson, violentado, estrangulado e jogado no poço do elevador. O assassino nunca foi encontrado. Funcionava ali, no 17º andar, uma igreja evangélica afim de atrair os infelizes e desesperançados moradores do edifício. Por casos como esses e outros crimes aterrorizantes, há quem diga que o prédio é mal-assombrado até hoje e que coisas estranhas ocorrem em seus longos corredores e nos andares inabitados do edifício.

O prédio, cada vez mais desvalorizado, não via outra saída à sua frente que não fosse a demolição, e isso provavelmente teria
acontecido se não fosse a intervenção de um prefeito, Olavo Setúbal, que com a ajuda do exército desapropriou o prédio e começou uma série de reformas. Os setores hidráulico e elétrico foram totalmente reformados, a faxada recebeu um jateamento de areia e foi implantado um moderno sistema de prevenção de incêndio, transformando o prédio de novo em um dos mais seguros e modernos de São Paulo.

Atualmente o prédio abriga as Secretarias Municipais da Habitação e Planejamento, as empresas Emurb e Cohab-SP, a sede do Sindicato dos Bancários de SP e diversos estabelecimentos comerciais no prédio. Através do site oficial, pode-se agendar visitas e conhecer de perto a história desse prédio que viu São Paulo crescer de perto, e conhecer o terraço e sua bela vista panorâmica da cidade. Pode-se ver a Avenida São João do começo ao fim, o pico do Jaraguá e as antenas da Paulista, tudo do terraço do prédio, é uma visita que vale a pena fazer.

Para agendar a visita, é só entrar no link:
http://www.prediomartinelli.com.br/visitas.php

Rua Líbero Badaró, 504
Rua S. Bento, 405.
próximo a estação São Bento do metrô.